Sertã: (Des)Igualdade de Género no Jornalismo esteve em debate

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Sertã: (Des)Igualdade de Género no Jornalismo esteve em debate
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Como todos os anos, o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, foi celebrado pelo concelho da Sertã e desta vez a iniciativa foi sobre o tema da “A (Des)Igualdade de Género na Comunicação”.

 A ação contou com a presença de três jornalistas, Dulce Salzedas, da SIC, Isabel Gaspar Dias, da Antena 1 e Berta de Freitas da RTP. José Farinha Nunes, presidente da câmara, na abertura da sessão, referiu a importância de denunciar crimes de violência e relembrou os “constantes relatos que chegam diariamente através das notícias de países em guerra. Embora, nenhum dos restantes continentes sejam alheios a problemas de violência e maus tratos infringidos à condição feminina”.

Porém, o edil esclareceu que “temos de reconhecer que existem países onde o papel da mulher está bastante reconhecido e aceite pela sociedade”. Desejou ainda que a cada dia “a mulher e os seus direitos sejam cada vez mais respeitados, assim como o seu insubstituível papel social seja aceite por todos”. Dulce Salzedas considerou que hoje em dia “já não faz grande sentido esta comemoração”, ainda assim afirmou que ainda há “grandes discrepâncias de tratamento”.

Acho que hoje em dia já não faz sentido nenhum. Se eu quero que todos sejamos tratados da mesma forma e com a mesma igualdade, obviamente não deveria fazer sentido, mas infelizmente ainda faz”, afirmou.

 Mesmo assim acabou por esclarecer que “ainda há situações em que a mulher é tratada de forma diferente e é discriminada em relação ao homem, portanto enquanto houver este tipo de situações, claro que vale a pena celebrar este dia”. Apesar de tudo o que tem sido feito, ainda há um longo caminho a percorrer para que este tipo de discrepância acabe e isso resulta da mentalidade das pessoas.

Isabel Gaspar Dias acredita que “enquanto for preciso impor quotas, quer dizer que não há paridade porque tem de ser imposto ou seja, não é conquistado”. A mudança de mentalidades “demora décadas mas já se notam muitas melhorias. Há homens que em casa já não dizem «eu ajudo-te», porque só o termo “ajudar” é logo uma ofensa à mulher. Existe muito caminho para percorrer, a mudança de mentalidades tem a ver com a educação, com a legislação, com a discriminação salarial e muito relacionado com a capacidade das mulheres se imporem e não repetir a frase «deixa estar, tu fazes tudo mal, faço eu»”, concluiu.

Nos cargos de chefia, de grandes empresas, faltam mulheres e Berta Freitas explicou que ainda há quem pense que “há uma cultura de que os homens têm mais disponibilidade para se dedicar a tempo inteiro aos negócios”. Isto é ainda um pensamento que está muito presente “na cabeça das pessoas, “o homem não tem mais nada em que pensar”, não tem que pensar na família, na casa, em mais nada e se contratar um homem tem esse caso resolvido. Ele não vai ficar “grávido”, apesar da licença parental”.

Sobre este assunto, rematou dando o próprio exemplo e das colegas jornalistas “temos a nossa vida e dedicamo-nos à nossa carreira. Não chegámos a diretoras ainda de nada mas de facto as chefias intermédias nas redações são maioritariamente femininas nesta altura”. Para terminar, as mulheres da comunicação social do concelho foram homenageadas, sendo elas Berta Freitas da RTP e Isabel Gaspar da Antena 1, ambas com raízes na Sertã, Eduarda Martins, administradora e editora do Jornal “A Comarca da Sertã”, Marisa Ribeiro, do Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal da Sertã, Dulce Cardoso, Jornalista da Rádio Condestável, Fernanda Branco e Maria do Rosário Reis, animadoras ou locutoras. Integrado ainda neste dia de comemorações esteve também a decorrer durante todo o dia a decoração do “Mural da Mulher”, situado entre a Casa da Música da Filarmónica União Sertaginense e o Convento de Santo António.

Sertã: (Des)Igualdade de Género no Jornalismo esteve em debate
Mural da Mulher